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Mastercard executa garantia de dívida e assume 32% das ações da Westwing

2026/01/21 07:27
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A Mastercard Brasil tomou o controle de quase um terço do capital da Westwing (WEST3) após executar garantia sobre ações da varejista online de móveis e decoração, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (21).

As ações foram dadas como garantia por acionistas não identificados. A execução expõe dificuldades da plataforma e seu entorno. O valor da dívida não honrada não foi informado. A gigante global de pagamentos já avisou que não pretende ficar com os papéis e planeja vendê-los.

A Westwing, que opera um modelo de comércio eletrônico que combina campanhas promocionais temáticas com curadoria de produtos para casa, contava como principal acionista de referência desde 2023 a WNT Gestora de Recursos, de Valério Marega Júnior, com uma fatia de 39,3%, segundo informações da B3 datadas de 13 de janeiro de 2026.

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Investidor egresso das mesas de commodities agrícolas como café, boi, soja e milho, Marega Junior é filho de fazendeiros de Uberaba, na região do Triângulo Mineiro.

Marega e a WNT se especializaram na compra de ações de empresas em dificuldades - os chamados distressed assets ou ativos problemáticos -, em parceria eventual com duas figuras mais conhecidas do mercado: o veterano investidor Nelson Tanure, que foi acionista de referência da Prio (PRIO3), com posição já zerada, da Gafisa (GFSA3) e da Alliança (AALR3), e o Banco Master, do também investidor Daniel Vorcaro.

A Westwing vende móveis, itens de decoração, utensílios domésticos e têxteis por meio de sua plataforma digital e aposta em ofertas por tempo limitado para atrair clientes.

Fundada em 2011 como subsidiária de uma operação alemã, a empresa brasileira se tornou independente em 2018 e abriu capital três anos depois, sob a liderança do empreendedor e executivo Andreas Mutschler.

A execução da garantia transferiu cerca de 3,5 milhões de ações para a Mastercard, equivalente a 31,87% da varejista, segundo o documento enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no início da noite.

A empresa de pagamentos informou que vai vender a participação seguindo as regras do mercado de capitais e que não votará em assembleias nem participará de decisões corporativas durante o processo.

O documento não esclarece pontos centrais da operação. Não há informação sobre quais acionistas deram as ações como garantia, qual era o valor da dívida nem a natureza do compromisso financeiro que levou à execução.

A Mastercard disse apenas que não possui outros investimentos ou derivativos vinculados à Westwing.

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A estrutura acionária da companhia passa por uma reconfiguração.

Antes da execução da dívida, a WNT Gestora de Recursos era a maior acionista da companhia, seguida pelo fundo OIKOS Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo dados da B3 de meados de janeiro.

A Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários também figurava entre os principais investidores.

Os números da Westwing mostram uma situação financeira delicada.

A varejista registrou um prejuízo de R$ 9,5 milhões nos nove meses encerrados em setembro de 2025, com receita de R$ 105 milhões, queda de 14,9% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados não consolidados da B3. O patrimônio líquido também caiu no período. A companhia tem um hub de logística em Belo Horizonte.

A trajetória na bolsa reflete essas dificuldades.

A Westwing abriu capital em fevereiro de 2021, em momento favorável (juros de um dígito) para ofertas públicas iniciais no mercado brasileiro. Tinha valor de mercado próximo a R$ 1,5 bilhão. Desde então, as ações acumulam perdas expressivas, a tal ponto que o market cap atual é da ordem de R$ 60 milhões.

A Mastercard informou em nota à imprensa que detém garantias de instituições emissoras de cartões, como ações, para gestão de risco. A medida visa assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento em caso de inadimplemento.

“Essas garantias asseguram o cumprimento de obrigações de pagamento em caso de inadimplemento”, explicou a administradora de cartões, sem detalhar o caso específico.

Já a Westwing informou em nota que sua administração não participou da operação que resultou na mudança acionária e desconhece seus detalhes, uma vez que as negociações de ações pelos acionistas ocorrem sem envolvimento da companhia.

“A Westwing não possui dívida bancária de nenhuma natureza, ou qualquer exposição junto à instituição financeira em questão na operação”, destacou a empresa, acrescentando que segue focada na execução de sua estratégia de crescimento e rentabilização do negócio.

Will Bank e BRB

A gestão de risco levou a administradora de cartões a tomar outras medidas. Mais cedo, a bandeira confirmou a suspensão de transações com cartões do Will Bank, vinculado ao grupo do Banco Master, fundado por Vorcaro, alvo de intervenção pelo Banco Central em novembro. A medida visa evitar acúmulo de dívidas não liquidadas.

Nesta terça-feira (21), o Banco Central liquidou o Will Bank (nome comercial da Will Financeira S.A. CFI) após a instituição descumprir a “grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard” em 19 de janeiro, segundo nota do BC. A bandeira executou as garantias sobre a Westwing um dia antes da liquidação do Will, sugerindo ação preventiva após o descumprimento dos pagamentos.

Além da Westwing, a Mastercard executou também garantias sobre ações do BRB - Banco de Brasília (BSLI3), consolidando 6,93% do capital da instituição, segundo outro comunicado enviado à CVM no final do dia.

A operação envolve fundos administrados pela Master Corretora que haviam dado as ações como garantia fiduciária. A Mastercard também pretende vender esses ativos, segundo o comunicado.

O BRB está no centro de investigações após o colapso do Master por supostamente ter comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito suspeitas de fraude do Master.

Procurados pela Bloomberg Línea, WNT, Will Bank e BRB não comentaram imediatamente.

- Texto atualizado às 11h00, do dia 21/1, com inclusão da nota da Westwing e nota do BC

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